Audiência Pública revela que meio rural de Viçosa quer mais segurança e escolas

Reunião na tarde desta segunda-feira (13) discutiu maneiras de se manter as pessoas no campo e melhorar a vida na roça.


VIÇOSA (MG) – Mais segurança e mais escolas foram apontadas como principais demandas do meio rural de Viçosa (Zona da Mata), durante audiência pública na cidade, promovida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta segunda-feira (13/7/15). O encontro foi realizado pelas comissões de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo e de Política Agropecuária e Agroindustrial e ocorreu dentro da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que sedia a 86ª Semana do Fazendeiro até o próximo sábado (18).

De acordo com a reitora da UFV, Nilda de Fátima Ferreira Soares, a construção de escolas rurais é fundamental para interromper o êxodo populacional para as cidades. “É preciso que as pessoas, em especial os jovens, fiquem no campo por decisão própria. Uma escola com projeto pedagógico específico é importante para isso”, afirmou. Ela sugeriu que universidades, como a UFV, possam contribuir para essa discussão.

Com relação à segurança pública no meio rural, a reitora da UFV disse que a área “está jogada às traças”. Segundo ela, as drogas chegaram “fortemente” ao ambiente rural. “Estamos amedrontados. Quem vive no meio rural sabe o descaso que se tem com relação à segurança. Temos mortes por roubo para se ter dinheiro para comprar droga”, acrescentou.

O pró-reitor de Extensão e Cultura da UFV, Clovis Andrade Neves, também acredita que é preciso reforçar a construção de escolas no meio rural. “O sonho de todo menino do campo sempre foi sair para estudar na cidade. As coisas não mudaram muito”, destacou. Ele disse, ainda, que a zona rural precisa oferecer uma vida melhor aos agricultores, para que jovens queiram permanecer na roça. “Se isso não ocorre, é por decisões políticas que não pensam no homem do campo”, criticou.

O superintendente de Apoio à Produção Sustentável da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, Pedro Moreira, disse que manter os jovens no campo é, mesmo, um desafio. “Ter mais escolas é um passo importante”, disse. Entretanto, para ele, é preciso pensar em uma política mais ampla de desenvolvimento rural. “Assim, atacamos as duas frentes principais: contribuímos para manter as pessoas no campo, permitindo que elas tenham acesso ao estudo e à internet, e também possibilitamos a existência de uma politica de segurança mais robusta”, afirmou.

O representante da Secretaria de Desenvolvimento Agrário afirmou que o novo Governo de Minas tem dado grande importância ao meio rural. “Começamos uma retomada da regularização fundiária, grande gargalo no Estado”, acredita. Ele falou, também, que há perspectiva de universalização da política de erradicação da pobreza no campo em Minas.

Envelhecimento

O secretário municipal de Agropecuária e Desenvolvimento Rural, Marcos Roberto Fialho, também falou sobre as dificuldades de se manter a população na roça. “O produtor rural está envelhecido. É preciso manter o jovem no campo, dando escolas e condições de infraestrutura, locomoção, cultura, internet e telefonia”, acredita.

O tenente-coronel da 10ª Cia Independente de Viçosa, José de Anchieta Machado, disse que há preocupação da Polícia Militar com o ambiente rural. “Já detectamos necessidade de ações no campo. A curto prazo, estamos resgatando a patrulha rural”, afirmou. Ele disse que uma das demandas da PM é ter mais viaturas adequadas ao campo. José de Anchieta disse, no entanto, que os índices de violência em Viçosa este ano são menores que no ano passado e menores que em outras regiões próximas. “A segurança pública começa no diálogo e no debate, por isso a importância desse evento”, acrescentou.

Deputados defendem políticas públicas para o campo

O deputado Tito Torres (PSDB) disse que é preciso ter políticas públicas focadas no campo para maior desenvolvimento do setor. “Com isso, contribui-se para reforçar a agricultura e para manter as pessoas no meio rural”, disse. O deputado Roberto Andrade (PTN), autor do requerimento para a reunião, afirmou que o poder público precisa ter “um olhar atento” às demandas das pessoas do campo. “Essa audiência serve para levarmos propostas da zona rural para a Assembleia e para o Estado”, destacou.

O deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB) contou que, quando morava no meio rural, as escolas tinham mais de 100 alunos. “Com o tempo, os estudantes foram saindo do campo e indo para a cidade”, salientou. Ele criticou a escola multisseriada na área rural e falou que é preciso reforçar a presença de professores no campo. Sobre a segurança, ele acredita que é preciso evitar, antes de tudo, o uso de drogas pelos jovens.

Para o deputado Fabiano Tolentino (PPS), sem a agricultura “Minas Gerais seria muito pequena”. Ele falou que “é importante a ALMG vir a campo buscar soluções e ver quais os problemas do setor”. Ele elogiou o governo do Estado por renegociar a dívida de 13 mil produtores rurais, após a realização de uma audiência pública na Assembleia.

No final da reunião, os deputados aprovaram o envio de um pedido de providências ao governo do Estado para criar mecanismos de segurança para pessoas que vivem na zona rural.

Semana do Fazendeiro

A 86ª Semana do Fazendeiro é o maior e o mais tradicional evento de extensão realizado pela UFV. Este ano, aborda o tema “Campo e cidade: diálogo para um futuro sustentável”, com o intuito de problematizar a relação entre a produção agrícola e o padrão de utilização de recursos nas cidades. A ideia é, ainda, tratar o campo e a cidade como dimensões complementares, com vistas a um convívio mais harmônico.

A Semana do Fazendeiro tem objetivo de promover o diálogo com a sociedade. No ano passado, mais de três mil pessoas inscritas participaram de cursos técnicos e workshops. As feiras agrícola e de artesanatos, abertas ao público, contaram ainda com leilões e exposições.

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